Pode parecer lugar comum, mas cada Achamos em Minas me reserva uma surpresa. Por exemplo, há duas semanas gravei sobre os bonsais. Na correria da pauta, cheguei com perguntas prontas, do tipo, quanto tempo, quanto custa, quanto cresce, perguntas que mais pareciam estatística do que outra coisa. Minha expectativa era de encontrar um jardim pequeno com plantas diminuídas através desta técnica milenar oriental. Mas... como eu disse que o Achamos em Minas tem sempre uma surpresa pra mim, sem nenhum receio, eu digo que encontrei um ‘jardim encantado’. O encantamento que estava nas plantas, mas que vinha também de um encantador: Ailton Guimarães.
Bonsai 1024x768 Meu pequeno grande jardim

Neste clima, impossível fazer qualquer uma daquelas perguntas que, naquele momento, tornaram-se absolutamente fora de propósito. Aliás, me parecia fora de propósito, também, o fato de que o responsável por este jardim insistia em dizer que conversava com as plantas e as plantas conversavam com ele. Mas foi aí que eu percebi que o pequeno jardim era grandioso. O pequeno grande jardim conversava, sim, com a gente e a partir daí foram eles, os bonsais, que guiaram a nossa entrevista. Aílton pratica a arte do bonsai há mais de 40 anos e, por incrível que pareça, não há professor. Ele e as plantas são alunos uns dos outros. E, sinceramente, eu tive vontade de me matricular nesta turma.
O Aílton tem até hoje o primeiro bonsai que ele cultivou, mas ele não tem nada de mascote. Me pareceu ser a referência do começo de um novo Aílton. Mas eu não me senti com liberdade de perguntar se era. Como eu costumo dizer, cada viagem que eu faço, é sempre o meu começo. Ao ver os bonsais, eu descobri que a arte de começar está na delicadeza da escolha e do amor por este escolher. Apaixonada pela vida, pelas pessoas e por esses destinos com os quais eu cruzo, uma coisa eu me atrevo a confessar: existe entre Aílton e o seu primeiro bonsai o sentimento maior de todos os começos: amar o que se quer incondicionalmente.
E para quem quiser ver o Achamos em Minas sobre o Aílton, a Marinês (figura linda e tão apaixonada pela vida quanto o Aílton) e os seus bonsais, aí vai o link: ACHAMOS EM MINAS - BONSAIS - CLIQUE AQUI
Luciana Katahira, Sabará, 2016